Miniusina do Idesam visa atender mercado de óleos vegetais para o setor de cosméticos

Miniusina do Idesam visa atender mercado de óleos vegetais para o setor de cosméticos

 

Texto e fotos por Izaías Godinho 
Publicado originalmente no Jornal A Crítica

 

São Sebastião do Uatumã – Com a chegada de tecnologias, como a miniusina de beneficiamento de óleos vegetais amazônicos, a bioeconomia tem se destacado no município São Sebastião do Uatumã. Distante 250 quilômetros de Manaus, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã tem a expectativa de uma receita média de R$ 850 mil, com a produção vegetal não-madeireira em larga escala.

De acordo com o diretor técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Carlos Koury, a produção da usina visa atender principalmente o mercado de insumos para o setor de cosméticos, ao beneficiar óleos de buriti, breu, priprioca, andiroba e copaíba, além de manteigas de cupuaçu e tucumã.

Ele explicou ao A CRÍTICA que a miniusina faz parte do projeto Cidades Florestais do Idesam, e captou o investimento de R$400 mil, oriundos do Fundo Amazônia. Carlos afirma que a miniusina é a primeira de duas novas estruturas construídas pelo projeto, que também já promoveu melhorias em outras três usinas jáexistentes nos municípios de Carauari, Silves e Lábrea.

Carlos disse que a indústria tem uma capacidade produtiva mensal de 3 toneladas de óleos fixos, além de 90 litros de óleos essenciais. “Você sair da venda de uma semente, que entregaria na cidade a R$ 2 o quilo, e poder entregar um óleo a R$100 ou R$500 o quilo, é um resultado que a gente almeja para Uatumã”, afirmou Carlos Koury.

Segundo o diretor do Idesam, a estrutura vai beneficiar diretamente mais de 300 famílias, diversificando a fonte de geração de renda e fortalecendo o empreendedorismo social na região. “A gente traz um conceito diferenciado de uma usina de uso múltiplo. Eu posso retirar óleos essenciais, resinas e posso também fazer manteigas, que são óleos mais graxos, para que mercados diferenciados sejam atendidos”,disse o diretor.

O A CRÍTICA esteve na comunidade e constatou que além da miniusina, uma serraria portátil foi instalada no local. De acordo com Heide Sidler, proprietária da empresa Ecoserra, a tecnologia transforma a madeira bruta em madeira serrada. “Quando você estabelece condições para que a comunidade crie madeira de forma sustentável, você transforma os  comunitários em perfeitos guardiões da mata”, disse a empresária.

Em relação ao manejo madeireiro, Carlos Koury ressaltou que o uso sustentável da floresta é o que pode assegurar a conservação da mata. Segundo ele, a estimativa de produção para 2020 são de 500 metros cúbicos de madeira, o que pode gerar o lucro de R$500 mil.

PARCEIROS

O evento de inauguração da miniusina de óleos vegetais foi realizada na tarde de quinta-feira (23) e contou com a participação de representantes do Fundo Amazônia, do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de secretarias do Governo do Estado voltadas para o investimento no setor primário. Durante o evento foram entregues licenças de operação do Plano de Manejo Florestal comunitário.

O superintendente da área de gestão pública e socioambiental do BNDES, Júlio Leite, disse que os recursos do Fundo Amazônia estão sendo bem empregados. “O objetivo do Fundo é ajudar as populações ribeirinhas a tentarem alavancar recursos para o sustento, protegendo a floresta ao mesmo tempo. A parte de florestas é prioridade no plano estratégico do banco nos próximos três anos”, afirmou.

Segundo o secretário de Estado de Meio Ambiente (Sema), Eduardo Taveira, todas as unidades de conservação estaduais são administradas pela Sema e acrescentou que a secretaria investe no fomento de tecnologias nas regiões de desenvolvimento sustentável. Com relação à tecnologia de exploração madeireira, o secretário acrescentou que, por se tratar de uma área de desenvolvimento sustentável, o local possui uma estrutura adequada para a atividade.

“Esse é um modelo onde você tem a exploração dos ativos florestais não-madeireiros, no caso dos óleos, gerando renda direta para a comunidade. Nós queremos que essas áreas de conservação sejam também áreas produtivas”, disse o secretário.

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